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Como evitar a Síndrome de Burnout durante a quarentena

Como evitar a Síndrome de Burnout durante a quarentena

1 de abril de 2020

 A COVID-19 está obrigando parte dos trabalhadores brasileiros a ficar em casa tomando os devidos cuidados com a saúde, mas outra coisa que também está relacionada a saúde e que precisamos ficar atentos é como evitar a síndrome de Burnout durante a quarentena.

Isso porque os ânimos estão à flor da pele e sentimentos como insegurança, medo, mudanças bruscas na rotina e a necessidade, obrigatória, de ficar em casa podem levar a um desgaste emocional que pode refletir no trabalho e gerar a síndrome.

A pergunta é: o que você, que gerencia uma equipe, pode fazer para evitar que isso aconteça? 

O que é a síndrome do esgotamento profissional, conhecida como Síndrome de Burnout? 

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), Burnout é uma síndrome que pode ser definida como um estresse crônico, caracterizado por sentimentos negativos em relação ao trabalho, sensação de esgotamento, cinismo ou eficácia profissional reduzida.

A palavra Burnout, em tradução livre, significa “queima total”, e acontece quando o indivíduo chega a um estado severo de esgotamento psicológico, emocional e físico, devido a um alto grau de pressão e estresse relacionado ao ambiente e condições de trabalho.

Pode ser difícil identificar a síndrome, pois muitas pessoas a confundem com estresse, depressão ou ansiedade quando, na verdade, o Burnout pode conter os três, sendo o resultado de um longo período de exposição ao estresse relacionado ao trabalho.

Alguns sintomas são: 

  • Dores de cabeça;
  • Tensão muscular; 
  • Distúrbios do sono;
  • Irritabilidade; 
  • Sentimentos negativos que começam a afetar o relacionamento familiar e a vida em geral; 
  • Propensão a largar o emprego; 
  • Absenteísmo.

Uma pesquisa encomendada pela ÉPOCA e realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), estima que mais de 20 milhões de brasileiros sofram com a Síndrome de Burnout. Isso sem falar dos quadros de estresse e ansiedade não percebidos no ambiente de trabalho.

Muitos fatores podem ser os culpados desses índices: efeitos colaterais da vida moderna nas capitais, a urgência “crônica”, a pressão para alcançar metas, a autocobrança e o desajuste entre o tempo dedicado ao trabalho e à família são alguns exemplos.

É importante entendermos também que casos de Burnout podem acontecer em qualquer empresa, até nas mais humanizadas. Os gestores devem fazer o que estiver a seu alcance para colaborar com a saúde mental do colaborador.

Mas e nesse momento que estamos vivendo? O que muda?

Burnout na pandemia

Nos últimos dias, os sentimentos que têm habitado a mente e o coração do brasileiro não são os mais felizes, não é mesmo?! Os ânimos estão à flor da pele, se misturando com o medo e a incerteza do que irá acontecer, tudo isso agravado pelo isolamento social.

Muitas pessoas estão em casa, mas continuam trabalhando de lá mesmo. Porém na situação atual isso pode representar alguns perigos para a saúde mental dos colaboradores, gerentes, líderes, CEO’s e donos de empresas.

Aliás, os empresário são frequentemente pressionados por todos os lados, pois carregam muitas responsabilidades. Nesse momento, por exemplo, muitos gestores estão trabalhando dobrado para garantir a sobrevivência dos negócios.

 Sendo assim, tudo o que pudermos fazer para amenizar a situação é bem vindo. O ideal é evitar que o estresse se transforme nessa síndrome através do incentivo de ações que quebrem a rotina.

Então vamos para algumas ideias de como evitar a Síndrome de Burnout durante a pandemia.

1- Reduza a pressão

 Este é um momento em que está mais difícil fechar novos negócios, muitos clientes estão rescindindo contratos e esfriando negociações em andamento. Isso é desesperador para muitos empresários e toda a equipe.

 Mas em uma guerra, a defesa é tão importante quanto o ataque. É hora de ir mais devagar e focar seus esforços e atenção na retenção de clientes atuais. Oriente a equipe a priorizar esses clientes.

Isso não significa que você não vai fechar novos contratos, mas sim direcionar os esforços e a carga emocional das equipes para quem já está no barco com você. Isso deve estar muito claro para o time.

É importante que os membros do time sintam-se tranquilos em não bater as metas neste momento, por isso reforce a comunicação. 

2- Proponha treinamentos 

Os colaboradores que estão em casa podem ficar mais expostos ao consumo exagerado de notícias angustiantes com potencial para causar ansiedade. Ajude-os a mudar o foco do momento propondo treinamentos.

Podem ser treinamentos com temas importantes para a ocasião,  como por exemplo “como trabalhar no home office com mais organização ou “como ter mais produtividade trabalhando à distância”.

O importante dos treinamentos é que não sejam focados no problema e sim na solução. A ideia é o colaborador sentir-se confiante de que tudo vai ficar bem e de que ele pode se preparar para fazer seu trabalho da melhor forma possível. 

DICA EXTRA: Muitas instituições de ensino estão abrindo treinamentos gratuitos neste período, veja se existem oportunidades como essa na sua área de atuação.

3- Incentive atividades relaxantes 

Que tal escrever um e-mail no meio do dia incentivando a prática da meditação, yoga, ou 15 minutinhos de exercício físico? 

Existem muitas coisas que podem ser feitas em casa, mas nós sempre esperamos que o colaborador as faça nas suas horas livres. Que tal surpreender positivamente quebrando esse padrão?

Receber um e-mail do gestor incentivando atividades que eu chamo de reset de atenção gera o sentimento de importância e admiração, ítens importantes para que o membro da equipe não se sinta esquecido em casa.

Da mesma forma, tire você também alguns minutos no meio do dia para pausas diferenciadas. Meditação guiada pode te ajudar a relaxar um pouco nesse momento.

4- Faça uma boa gestão e gerencie conflitos

Conversar é sempre a melhor forma de resolver as coisas, mas muitas vezes os colaboradores têm dificuldades em falar de seus conflitos. Isso só será mais confortável à medida que a cultura organizacional se fortalecer em torno do feedback e da comunicação.

Durante o isolamento social, o colaborador precisa sentir que pode contar com seu gestor e vice versa. Marque reuniões de equipe e individuais através de vídeo chamada. Alinhe objetivos, ofereça feedbacks e busque entender o que está acontecendo com o colaborador.

Tenha uma conversa franca falando sobre as expectativas para o futuro da empresa e tranquilize a equipe a respeito de seus empregos e a entrega de projetos. Assegure também que a estrutura e organização das equipes está em ordem. 

Este é um momento em que as demandas podem diminuir ou aumentar muito, dependendo do seu ramo de atuação. Verifique se está entregando a dose certa de trabalho para não sobrecarregar o colaborador neste momento.

E depois da pandemia?

 A melhor maneira de lidar com o Burnout é buscando ajuda especializada. Você e seu colaborador não precisam esperar a pandemia passar para isso, embora possa ser difícil encontrar profissionais atendendo nesse momento.

De qualquer modo, assim que possível, busque ajuda. Descanse, fique com a família, se reorganize, leia um livro que não tem a ver com o trabalho, veja uma série, comece um novo hobby… mude o padrão.

E, se for necessário, ajude o colaborador a reavaliar a carreira. Ajude-o a se questionar: Será que ele está no cargo que ele gostaria? Será que ele gosta do que faz? Como você pode ajudá-lo a se encontrar e recuperar a qualidade de vida no trabalho?

Fica aí a reflexão e vamos todos cuidar da nossa saúde mental e lavar as mãos com mais frequência, ok?!

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