Low-code vale a pena para as empresas? Entenda

na imagem vemos peças de um jogo de letrinhas formando a palavra low code

Low-code vale a pena para as empresas? Antes de mais nada, temos que reconhecer que o cenário das tecnologias de baixo código no Brasil e no mundo está se mostrando muito promissor.

Segundo a Gartner, nos próximos anos 50% das aplicações devem ser feitas em low-code. A pesquisa, publicada no ano passado, previa crescimento de 23% no mercado mundial das tecnologias de baixo código até o final de 2021. 

Essas informações podem nos fornecer a seguinte reflexão: ‘poxa, se o mercado está tão aquecido e grandes empresas estão investindo e contratando low-code, então deve valer a pena!’.

 De fato, há grandes chances de que esse pensamento faça sentido na maioria das vezes, mas não podemos fechar os olhos para os desafios que acompanham este pacote.

 Por isso, no artigo de hoje vamos falar dos dois lados. Você vai conhecer melhor os benefícios e os desafios reais das tecnologias low-code.

Low-code: modo turbo

 As plataformas de pouco código tem uma proposta de valor bem definida que parece estar sendo melhor compreendida após a ascensão do trabalho remoto na pandemia da covid-19. 

 O low-code oferece às empresas a possibilidade de acelerar a criação de soluções a partir de moldes predefinidos onde é possível incorporar um pouco de código para customizar até certo ponto o desenvolvimento.

Um levantamento da Rad HaI afirma que o low code pode diminuir de 50% a 90% o tempo de criação de soluções em comparação ao modelo tradicional. 

 Essa agilidade se deve à alta abstração que as plataformas low-code possuem. Com editores mais visuais, pessoas que não são necessariamente desenvolvedoras conseguem criar aplicações suficientemente boas para problemas comuns.

 Hoje em dia já existe um sortimento de plataformas que resolvem diferentes dificuldades nas empresas, dando aos negócios opções mais rápidas e de custo mais baixo do que uma aplicação customizada poderia oferecer.

 Por isso o low-code ganhou diversos adeptos durante a quarentena. Em artigo publicado no site da Associação Brasileira das Empresas de Software, o country manager da Genexus Brasil, Ricardo Rechi,  disse que “durante a pandemia do Coronavírus, a demanda dos negócios por aplicativos excedeu em muito o que podia ser desenvolvido.” 

Segundo ele, a necessidade de criar soluções mais rapidamente para atender as demandas cada vez mais altas de aplicações, em um cenário com pouca oferta de mão de obra, fez com que as empresas abraçassem o low-code definitivamente.

 Low-code: uma porta aberta 

Já pensou se até a área de negócios pudesse criar soluções? As plataformas de baixo ou nenhum código permitem isso. As plataformas com pouco código abrem portas. Para Gartner, até 2024, 80% das soluções tecnológicas serão feitas por profissionais que não são cem por cento técnicas.

Para o cofundador e CEO da Github, Chris Wanstrath, o futuro da codificação não é uma codificação. Segundo ele “Software é um meio para um fim, e quanto mais pessoas pudermos convidar para isso, mais facilmente poderemos chegar a esse fim”. 

E o No-code?

O no-code é ainda mais ‘pronto’ do que o low-code. São ferramentas com recursos como o arrasta e solta, onde você configura a solução apenas com editores visuais. Sem nenhum código aparente.

Aqui no blog temos um artigo que explora bem as diferenças entre no-code e low-code, vou deixar o link no final desse bloco. No geral, eles caminham bem juntos, mas tanto um quanto outro possuem suas limitações e é isso que vamos entender melhor a seguir.

Leia mais: Low-code vs No-code: diferenças, vantagens e desvantagens de cada um desses formatos

Nem tudo são flores

 Low code vale a pena? Já vimos que essas ferramentas têm seu espaço e aplicação no mundo do desenvolvimento de software, mas antes de bater o martelo para definir se são boas opções ou não precisamos entender o contexto de cada problema.

Não que o modelo tradicional também não limite de alguma forma o acesso ao desenvolvimento: altas demandas e mão de obra escassa no mercado tornam o desenvolvimento mais caro, deixando pequenas e médias empresas de fora do digital.

O low/no-code abraça os menores negócios e gera oportunidades de economia para os maiores. Mas é preciso lembrar que quanto mais ‘pronta’ uma solução é, menos customizável ela se torna. Como cada empresa possui seu próprio cenário, nem sempre os problemas são iguais para dispor de soluções idênticas.

 Então é preciso aproveitar o low-code nos problemas certos. Por exemplo, atividades repetitivas operacionais, que geralmente têm pouco valor agregado para justificar grandes investimentos. 

Mais difícil de controlar

 Outro ponto que deve ser observado é a necessidade de amadurecimento das políticas de desenvolvimento nas empresas. Afinal, com as fronteiras abertas para pessoas não técnicas, as alterações e criações tendem a ser mais difíceis de controlar.

 No longo prazo, isso pode representar dificuldade em fazer a manutenção dessas soluções, principalmente se não houver documentação dessas aplicações. 

Por isso, é muito importante que as empresas adotem boas práticas para o uso e gestão das ferramentas no/low-code.

Desenvolvimento sem desenvolvedores?

Há tempos ferramentas como salesforce, outsystems e até wordpress transformam negócios e permitem que pessoas que não são desenvolvedoras criem soluções. É importante lembrar que, mesmo não estando aparente, o código está sempre lá. 

O wordpress, por exemplo, oferece soluções limitadas no quesito customização. Algumas dessas limitações se resolvem com a instalação de plugins. No entanto, alguém que não entende de códigos não conseguiria criar um plugin para disponibilizar para download.

Então sim, os desenvolvedores sempre serão necessários. Uma ferramenta low-code não gera outra. No entanto, o empacotamento das ferramentas de baixo código é muito interessante, porque ao invés de concentrar o potencial do desenvolvedor numa solução de uso único, extrai os moldes que ele cria para usar em infinitas aplicações.

Se você precisa decidir se low code vale a pena apenas analise o problema que você tem, compare com os recursos disponíveis e com o grau de customização que você precisaria na solução.

 Com mais autonomia, mais agilidade, mais participação de pessoas não técnicas e custos mais baixos. Me responda você, low code vale a pena para as empresas?