Como será o mundo pós-pandemia? Conheça os principais desafios para as empresas se adaptarem

A imagem representa como será o mundo pós pandemia. Rapaz com máscara, sentado à frente do computador, passando alcool em gel nas mãos durante o home office.
Rapaz com máscara, sentado a frente do computador, passando alcool em gel nas mãos durante o home office. Texto em destaque: O mundo pós-pandemia

 E aí, esperando ansiosamente para voltar à rotina normal no escritório? Sinto te decepcionar, mas isso pode demorar muito mais do que se imagina. Na verdade, pesquisas recentes nos levam a acreditar que já existe um ‘novo normal’ que deve permanecer no mundo pós-pandemia

A principal característica desse novo formato de normalidade  é que ele é muito mais remoto e guiado pela tecnologia.

Segundo o estudo Tendências de Marketing e Tecnologia 2020: Humanidade Redefinida e os Novos Negócios, realizado pelo diretor executivo da Infobase, André Miceli, a prática do home office deve crescer 30% após a crise do coronavírus.

 Empresas como Google e Facebook já anunciaram a extensão do trabalho via “home office” até o fim do ano e o Twitter pretende dar aos colaboradores a possibilidade de trabalhar em casa ‘para sempre’. 

Neste contexto, os ambientes tecnológicos deixam de ser um pano de fundo secundário e opcional, para ganhar protagonismo na vida de muitas pessoas, mas não é só isso: quem voltar ao escritório vai se deparar com uma rotina bem diferente, com novos hábitos e cuidados que devem impactar na forma como vivemos no trabalho.

Para as empresas que estão planejando a retomada, trazer os colaboradores de volta ao escritório significa planejar uma série de adaptações com muito cuidado.

É sobre isso que falaremos no artigo de hoje, vamos entender como as empresas podem começar a se preparar para o mundo pós-pandemia e para um possível retorno ao escritório. 

Como o coronavírus está transformando o mundo

A História nos mostra que grandes pandemias levaram a transformações nas relações do ser humano com a política, religião e com a economia. Na idade Média a Peste bubônica abalou impérios e a forma como fiéis se relacionavam com a fé. O povo se sentia desamparado por Deus, e seus governantes ou morriam ou não tinham mais condições de governar.

 Durante a pandemia da Gripe Espanhola entre 1918 e 1919, médicos e lideranças governamentais da época perceberam que a única medida que poderia surtir efeito positivo era a do isolamento social, isso te parece familiar?

 Pois é, essa coisa de se isolar para diminuir o contágio de um vírus não é novidade, mas assim como hoje, nem todo mundo conseguia ficar isolado, por isso dia após dia os corpos das vítimas da doença iam se amontoando, geralmente dos mais pobres que não tinham recursos para cumprir o isolamento. 

 A principal diferença entre o que estamos vivendo agora e a outras pandemias que já aconteceram, é que hoje temos acesso à informação e à tecnologia, o que permite que uma boa parcela da população consiga cumprir o isolamento social e ainda ‘continuar a vida’, trabalhando, estudando e consumindo.

Sabemos que isso não funciona para todo mundo, mas em um momento como esse, quanto mais pessoas estiverem trabalhando em casa, melhor.

 Então, podemos esperar no mundo pós-pandemia uma ascensão cada vez maior do uso da tecnologia. As pessoas que estão trabalhando em casa agora, já poderiam estar fazendo isso há muito mais tempo, se não fosse pela insegurança das empresas em oferecer essa possibilidade.

Depois dessa experiência bem-sucedida em relação ao home office, muitas organizações não estão se questionando: ‘quando e como voltaremos a normalidade?’ mas sim se realmente precisam voltar.

Novos hábitos de consumo no mundo pós-pandemia?

 Então vamos lá, o que vai acontecer quando tudo isso acabar?  O que sabemos é que encontraremos um mundo diferente, mas enquanto tem especialista que garante que as pessoas vão pensar mais na hora de consumir, outros acreditam que não, que assim que o perigo passar, todos voltarão a consumir desenfreadamente.

A verdade é que não tem como saber quais serão as prioridades de cada um e como cada indivíduo vai reagir e reavaliar seus hábitos de forma particular, mas uma coisa é certa: as compras online serão cada vez mais frequentes.

 Segundo o estudo “Novos hábitos digitais em tempos de COVID-19”, realizado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), os brasileiros estão comprando mais online e usando mais meios digitais de pagamentos.

 Em muitas categorias o aumento foi maior que 50% e, em relação à compra de produtos para consumo imediato como alimentos e bebidas, o aumento é ainda mais expressivo:  79%. Esse comportamento mais digital se deve aos efeitos do coronavírus, mas a transformação digital do varejo não começou agora.

 Essa é uma tendência que deve continuar a crescer nos próximos meses e anos. Empresas varejistas demonstram estar absorvendo bem o aumento das demandas que surgiram, mas a revolução digital promete avançar ainda mais. Quem conseguir se adaptar em tempo hábil terá muitas oportunidades de crescimento em um futuro próximo.

Relacionamentos a distância?

 Quem está levando a sério mesmo a quarentena já deve estar com saudade de alguém que não mora na mesma casa e não vê há algum tempo, não é mesmo?

 Nestes casos, só temos as videochamadas, telefonemas e mensagens de texto. Em algumas situações, quando não dá pra evitar um encontro, ainda temos que manter pelo menos 1 metro de distância, evitar beijos, abraços e até apertos de mão.

Se na dinâmica familiar está assim, imagine nas empresas! Se você está com saudade dos colegas de trabalho, daquela cerveja no final do expediente ou até daquele cafezinho na copa, não pense que voltar ao escritório vai necessariamente trazer tudo isso de volta.

 As empresas devem mudar, pelo menos nos próximos meses, a dinâmica com os colaboradores no uso do espaço de trabalho, e não sabemos até quando isso vai durar. 

 Muitas organizações estão preferindo manter a equipe 100% remota por tempo indeterminado, mas para quem precisar voltar, temos alguns exemplos do que veremos com frequência nos próximos meses:

  • Mesmo empresas que voltarem, podem manter parte da equipe remota;
  • O rodízio de funcionários no ambiente, para evitar aglomeração será comum;
  • Horários mais flexíveis, para evitar aglomerações no transporte público, na medida do possível serão bastante utilizados;
  • O uso permanente de máscaras será uma exigência;
  • Instalação de suporte para álcool gel em todos os ambientes estará bastante presente;
  • Haverá reforço na limpeza dos ambiente comuns;
  • Programas de conscientização sobre os cuidados serão frequentes;
  • O incentivo ao uso de transportes particulares será normal;
  • A dispensa de colaboradores que fazem parte do grupo de risco, ou que tem proximidade com alguém que faça;
  • E a dispensa de qualquer colaborador que puder apresentar o mínimo sintoma de COVID-19.

E muitas outras adequações que podem variar de acordo com a criatividade e necessidade de cada empresa. 

O home office se torna protagonista no mundo pós-pandemia, mas sem processos definidos pode ser um fracasso!

 Já falamos muito de home office e como ele tem se tornado protagonista nesta fase que estamos vivendo, de fato, o que antes era uma opção secundária, hoje assume o posto de principal forma de trabalho e o mais recomendável, sempre que possível.

 No entanto, uma das maiores dificuldades para fazer o trabalho remoto funcionar não está na falta de tecnologias, até porque hoje em dia existe solução para tudo, basta ter os recursos para investir.

 Mas para fazer com que a tecnologia funcione no trabalho a distância, é preciso algo que até pouco tempo interessava apenas para empresas maduras: o gerenciamento dos processos, especialmente os de negócios. 

 Hoje as empresas que não compreenderem, mapearem e otimizarem seus processos correrão o risco de ter pouco ou nenhum controle de suas demandas e equipes, além de não conseguir extrair o melhor das ferramentas tecnológicas utilizadas.

Este é um desafio gigantesco para muitas empresas, que até colocaram medidas paliativas para funcionar nos últimos meses, mas ainda precisam rever e estudar novas formas de trabalho para suas equipes.

Gestores perceberam essa necessidade e também estão percebendo que processos bem alinhados e desenvolvidos em boas ferramentas podem fazer a empresa funcionar, independente do lugar onde as pessoas da organização estão.

E por falar em pessoas

Eu não poderia terminar este artigo sem falar delas, afinal a equipe é o fundamento das empresas, a parte mais importante. Pena que precisamos de uma pandemia para perceber tantas coisas.

É triste saber que muitas empresas faliram, e ainda vão falir, e que tanta gente ficou sem emprego. E nessa leva de demissões, o RH teve muito trabalho. Em várias empresas foi necessário escolher quem iria ser mandado embora e quem não, além de mediar as reduções de salário e suspensão de contratos asseguradas pelas MP’s do governo.

 Para o pessoal da área de pessoas, trabalhar a distância é mais difícil do se imagina. Sabemos que não são processos fáceis de fazer de forma remota, mas a tendência é que tenhamos um RH mais digital daqui pra frente, tanto na parte operacional quanto na estratégica.

 O uso de inteligência Artificial em seleções, otimização de processos rotineiros e contratação e onboarding a distância são tendências que devem se popularizar daqui pra frente, mas independente da tecnologia, o cuidado e valor às pessoas deve ser prioridade nas organizações.

 Essas são algumas expectativas para o que deve ser o tal do ‘novo normal’ no mundo pós-pandemia. Esperamos que tenha gostado deste conteúdo e que ele te ajude a pensar em boas soluções aí para a sua empresa daqui pra frente. De tudo o que foi falado só não esqueça de uma coisa: as pessoas são o mais importante.

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