Como combater a discriminação e promover a diversidade na empresa? Criando organizações plurais!

Como combater a discriminação e promover a diversidade.na empresa
Como combater a discriminação e promover a diversidade na sua empresa

Nos últimos anos, a igualdade e a diversidade estão sob os holofotes de forma mais consciente e ativa do que nunca. As reportagens sobre disparidades salariais de gênero, o movimento MeToo, o aumento da participação no Orgulho LGBTQIA + por parte das empresas e da comunidade em geral e, mais recentemente, o movimento Black Lives Matter, desempenham um papel importante nisso. Esses eventos têm incentivado empresas com visão de futuro a implementar programas que mostram como combater a discriminação e promover a diversidade na empresa

No entanto, a falta dessa pluralidade ainda é uma realidade no mercado e um ambiente sem diversidade abre portas para o preconceito e a discriminação. Isso pode ser prejudicial não só para o seus colaboradores, mas para a reputação e ROI do negócio. 

Por isso, no artigo de hoje, eu mostro como combater a discriminação e promover a diversidade na sua empresa e quais os beneficios dessa ação. 

Vamos lá? 

O que é diversidade em uma organização?

Antes de mais nada, quero que você entenda exatamente o que é diversidade no mundo corporativo. A primeira coisa que precisa ter em mente, é que esse conceito não diz respeito apenas a pessoas PCD’s em seu quadro de colaboradores. Esse estereótipo foi criado de maneira equivocada. 

A diversidade é um conjunto de características que diferenciam as pessoas, tornando cada indivíduo um ser único e singular. Assim, podemos dizer que ela é representada por:

  • orientação religiosa, sexual e de gênero;
  • costumes e hábitos;
  • nacionalidade e naturalidade;
  • idade;
  • etnia;
  • pessoas com deficiência;
  • histórico de vida diferente do habitual, como ex-presidiários, por exemplo.

Muitas vezes, os gestores podem interpretar o fato de ter pessoas com essas características incorporando o seu quadro de colaboradores como uma adesão às políticas favoráveis à diversidade, o que é mais um equívoco. A pluralidade da força de trabalho de uma empresa deve ser institucionalizada. Desde uma quantidade de vagas destinada às contratações PCD, passando pela comemoração de datas importantes para a comunidade LGBTQIA+ ou para os negros e, até mesmo, aos processos que levem a uma contratação sem a influência da imagem, como o recrutamento às cegas. Para ser uma empresa que prioriza a diversidade, todas essas medidas devem ser adotadas e oficializadas.

Qual a importância de combater a discriminação e promover a diversidade ?

Quando uma empresa entende a impôrtância de combater a discriminação e promover a diversidade, ela começa a praticar o respeito e a valorizar as diferenças. Ao tornar esse conceito parte da cultura, os gestores iniciam o processo de enriquecimento de ideias que contribui e beneficia todo o negócio. 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Deloitte, locais de trabalho que priorizam a inclusão e a diversidade têm duas vezes mais chances de cumprir ou exceder suas metas financeiras, seis vezes mais chances de inovar, são seis vezes melhores em antecipar e responder eficazmente às mudanças e geram 30% mais receita por empregado. Um estudo da McKinsey também revelou que essas organizações obtêm resultados 35% melhores do que aquelas que são homogêneas.

Isso acontece porque, o encontro de diferentes origens, etnias, crenças, classes e outros elementos, contribuem para que o brainstorm seja mais rico, já que há visões diferenciadas por trás de toda e qualquer sugestão. 

O aumento da criatividade também é um ponto importante quando o assunto é a busca por resultados positivos e resolução de problemas. Elas podem aparecer com menos força quando os profissionais envolvidos nesses processos mantêm um mesmo histórico de vivências e experiências.

A reputação da marca também é beneficiada. As pessoas querem comprar de empresas com consciência social, especialmente no clima atual. As empresas estão cada vez mais envolvidas com a transparência quando se trata de relatar a diversidade e as disparidades salariais entre homens e mulheres. Isso ajuda a aumentar a reputação de marcas que são mais iguais e diversificadas.

A presença da pluralidade na força de trabalho colabora para que sejam desenvolvidas habilidades como empatia, resiliência e comunicação efetiva. Ao combinar criatividade, clima inclusivo, diminuição da rotatividade — que também é uma consequência das políticas de diversidade — e aumento de inovação e lucros, a empresa estará mais propensa a alcançar melhores resultados. 

Como combater a discriminação e promover a diversidade?

Promover a diversidade e combater a discriminação na empresa é algo que não deve ser deixado de lado. É inclusive uma lei, a Lei da Igualdade, afirma que os empregadores têm a responsabilidade de protegêr seus colaboradores de qualquer forma de assédio, discriminação e intimidação no local de trabalho. 

Porém, um estudo do TUC revelou níveis extremamente altos de assédio e discriminação. Mais preocupante ainda é a constatação de que a maioria das vítimas (66%) não relatou o incidente ao empregador por medo de serem “expostos” ou prejudicados no trabalho. E, não há dúvidas, que a falta de diversidade e conscientização é o grande responsável por isso. 

Claramente, a discriminação no local de trabalho nunca deve ser tolerada, no entanto, esse não é um processo fácil. Implementar políticas voltadas para a prevenir a discrimição e promover a diversidade pode ser um tanto quanto desafiador, mas profundamente necessário. Por isso, eu trouxe algumas dicas que podem ajudar, vamos conhecê-las.

1- Estabeleça uma política

Mesmo que uma política de promoção a diversidade não seja obrigatória, ainda é uma boa ideia adotá-la para estimular um ambiente de trabalho respeitoso. 

A política deve definir comportamentos discriminatórios, delinear um processo para registrá-los, investigar e documentar queixas sobre discriminação e estabelecer as medidas a serem tomadas em caso de incidente. Ela deve ser clara e especificar ao máximo as novas perspectivas da empresa. 

Pode ser em formato de cartilha física ou online ou um documento anexado ao seu quadro de avisos, o importante é que todos tenham acesso e conhecimento sobre esse documento. É fundamental tambem que o RH auxilie, ou até mesmo esteja a frente desse trabalho, apresentando aos colaboradores novos e garantindo que os antigos cumpram as novas políticas.

Lembre-se também de responsabilizar as pessoas que estiverem discriminando outros colaboradores. Estabeleça regras e cumpra-as. Se houver quem não aceite um ambiente diversificado, prove que não tolerará esse comportamento. Os colaboradores podem precisar ser regularmente lembrados de manter crenças e opiniões pessoais separadas do trabalho. Garanta também que todos estarão seguros e não sofrerão retaliações após uma denuncia, isso dará aos colaboradores maior segurança. 

2- Promova reuniões e palestras sobre o assunto

A discriminação ainda é uma realidade e pode ser muito presente dentro das organizações, mesmo que de forma inconsciente. O assunto é delicado e muitas vezes difícil de combater, pois, normalmente, é resultado de uma construção social e estrutural e acontece de forma sutil. 

Por isso, mais do que ter novas políticas, é necessário conscientizar seus colaboradores e uma forma de fazer é trabalhando a comunicação e pedindo ajuda a quem realmente entende do assunto. 

Procure pessoas engajadas na causa que possam contribuir para que esse desafio seja superado, ajudando os gestores a reconhecerem e lidarem com essa situação. Dar voz ao colaborador também é uma ótima maneira. Rodas de discussão e conversas sobre o assunto ajudam a desconstruir pensamentos inadequados e promover o respeito mútuo.

3- Prepare seus colaboradores para a mudança

Após as políticas para o combate a discriminação estarem prontas, é hora de enfrentar outro ponto de resistência. Como a diversidade gera mudanças organizacionais, a cultura de inclusão e respeito vai além de um discurso bonito: ela vai acontecer na prática. Nessa fase, alguns preconceitos podem aparecer de maneira não tão sutil.

Por exemplo, se a sua empresa contrata uma transexual e ela utiliza o banheiro feminino, outras colaboradoras podem se espantar ou até mesmo levantar boatos e comentários discriminatórios. Manter a informação em sigilo não é uma opção, pois poderá gerar outros comentários. É preciso então realizar mudanças culturais e estruturais que mexam com a perspectiva de todos. Os colaboradores devem saber das transformações antes mesmo que elas aconteçam. No caso do exemplo citado, uma maneira de preparar seus colaboradores e evitar qualquer tipo de discriminação, seria comunicá-los sobre a contratação, informar a eles o nome social da nova colaboradora e como ela prefere ser tratada.

Colher o feedback das equipes também é fundamental. Tomar conhecimento das principais dificuldades relacionadas a essa nova cultura contribui para a melhoria e criação de um ambiente saudável e de fato inclusivo.

4- Cuide da comunicação com o público interno e externo

Promover a diversidade e previnir a discriminação na empresa é uma prática que está totalmente ligada a comunicação, tanto com o público interno como o externo. Até aqui, falamos sobre a importância de estabelecer um diálogo com os colaboradores, para que eles compreendam as mudanças que serão realizadas e possam desconstruir alguns pensamentos negativos. Promover rodas de conversa é uma solução, no entanto, como manter esse sentimento de inclusão vivo por mais tempo? De que forma a empresa pode evitar que ele se perca com o passar dos dias?

É necessário fazer uma avaliação de como anda a comunicação interna de sua empresa e verificar como a informação é transmitida e recebida pelos colaboradores. Afinal, a linguagem utilizada pode ser uma aliada, ou uma vilã, dos relacionamentos internos.

Além disso, é preciso cuidar também do diálogo externo. Clientes, fornecedores e a sociedade no geral estão de olho nos formatos escolhidos para se comunicar, nos materiais de publicidade, redes sociais e até mesmo na divulgação das vagas de trabalho. Você já reparou nas fotos utilizadas para divulgar suas vagas? Qual a incidência de homens, brancos e jovens nelas? Quais palavras são utilizadas na hora de divulgar a sua imagem?

Esses fatores exercem influência direta sobre o público. Não adianta abraçar a ideia de diversidade e esquecer dela na hora de se comunicar externamente. 

5- Defina metas de diversidade

As metas de diversidade devem envolver a estruturação de um plano de carreira adequado, em que a estrutura de cargos e salários obedeça aos padrões de diversidade previamente estabelecidos pela organização. Por exemplo, surgiu uma vaga na liderança de atendimento ao cliente e não há nenhuma mulher ocupando um cargo semelhante: que tal se só as mulheres, incluindo transexuais, pudessem participar do processo de seleção com o mesmo salário de um homem? 

Estabelecer indicadores para as vagas leva tempo, mas é necessário. Você pode começar destinando uma porcentagem das vagas, em uma certa função, somente para negros. Ou, até mesmo, abrir alguns processos seletivos apenas para indígenas ou idosos, que hoje têm forte presença nas universidades.

Competências e habilidades não podem ser deixadas de lado e, felizmente, é cada vez maior o número de minorias que se incluem no contexto da diversidade conquistando um diploma profissional que merecem uma oportunidade. 

6- Crie boas políticas de contratação

Políticas estabelecidas, censo de colaboradores definidos e metas estruturadas, chegou a hora de ter essas questões refletidas nos processos de recrutamento e seleção da sua empresa. 

Atualmente, há dezenas de técnicas e metodologias para um processo seletivo mais justo, que considere aspectos profissionais e pessoais e não sejam veiculados a imagem do candidato em si:

  • Recrutamento digital, em que a triagem de currículos e avaliação de competências é realizada integralmente pela web, fazendo com que recrutador e candidato se conheçam apenas nas últimas etapas;
  • Processo de seleção às cegas, destinado a atração de talentos com base nos critérios de diversidade já estabelecidos;

Empresas terceirizadas que aplicam o conceito de diversidade nas contratações também são ótimas opções. O Coletivo Indique uma Preta e Empregueafro, são voltados para contratação de negros, principalmente para cargos de liderança. O Transemprego também é uma ótima opção para as empresas voltadas para a área de tecnologia que desejam aumentar sua pluralidade. Já o Programa Maria, incentiva mulheres na carreira de Dev e outras áreas da tecnologia, mercado onde o gênero feminino ainda não é predominante. 

Exemplos de diversidade que você pode promover em sua empresa

Selecionei alguns cases de diversidade que podem inspirar você a promover mudanças em sua estrutura organizacional e começar esse trabalho em sua empresa. 

1- 99Jobs

A 99Jobs participa de diversos programas que incentivam a diversidade e o combate à discriminação nas empresas. Em 2019 a empresa criou um programa de estágio de férias, onde os jovens vivenciavam o desenvolvimento acelerado de uma company rotation em empresas como Suzano, Natura, Santander e Magazine Luiza. O diferencial dessa ação era que apenas estudantes negros poderiam participar do programa. 

2- Grupo GPA

O Grupo GPA é dono de grandes marcas como Pão de Açúcar, Assaí, Casas Bahia, Extra e Ponto Frio e lançou, em 2015, uma carta de compromisso com a diversidade. 

Dentre as suas iniciativas pontuais, está a qualificação profissional de pessoas com mais de 55 anos que, como resultado, trouxe cerca de 3400 funcionários da terceira idade.

Além disso, o programa Equidade de Gêneros, criado em 2014, analisa a presença feminina na empresa, com ações que incentivam e priorizam a participação das mulheres em posições de liderança.

3- Sodexo

O assunto diversidade surgiu na Sodexo em 2013 e se pautou na organização de grupos heterogêneos para debater temas como o universo LGBTQIA +. Há também uma preocupação constante com a presença da figura feminina dentro da corporação, como entender a sua atuação e suas dificuldades.

Além disso, no preenchimento da ficha cadastral, por exemplo, não é mais questionado o sexo do funcionário, e sim o gênero com o qual se identifica. 

4- Magazine Luiza

Magazine Luiza dá uma verdadeira aula quando o assunto é diversidade. O Programa de Trainee 2018 da Magalu fugiu de todos os jargões já conhecidos nesse tipo de programa: fluência em vários idiomas, lista de cursos e exigência de intercâmbio.

Eles queriam duas coisas: um processo realmente inclusivo e pessoas que tivessem a cultura da empresa, focando totalmente no conteúdo que o candidato tinha para oferecer.

No programa de trainee do ano passado, o processo foi diferente, mas também inclusivo. Apenas candidatos negros seriama aceitos no programa. O que além de ajudar pessoas, trouxe um retorno financeiro e uma visibilidade bem grande para empresa, devido ao engajamento nas redes sociais. 

Preparado para tornar sua empresa mais plural e empenhada a combater a disciminação?

Espero que esse artigo tenha ajudado você a entender a importância de promover a diversidade e combater a discriminação na sua empresa

Saiba que, ao trabalhar a diversidade, você ajuda na construção de uma sociedade mais inclusiva, refletindo a preocupação de combater o preconceito e a discriminação. Claro que ainda há muito a ser feito, mas o primeiro passo para uma realidade melhor é um maior acolhimento às diferenças dentro do ambiente de trabalho.
Existem muitas táticas diferentes para aumentar a diversidade no local de trabalho, a maioria envolve a mudança de mentalidade e cultura organizacional. Se você tiver outras ideias sobre como combater a discriminação promover a diversidade na empresa, deixe nos comentários, será incrivel conhece-las!